17/08/2016

Vale a pena incentivar as pessoas


Mal sabia eu que esse ano começaria desse jeito. Mal sabia eu que terminaria assim. Nada foi como eu planejei. Absolutamente. E eu nem sei por que eu ainda me admiro com isso. É assim, né? As coisas nunca acontecem como a gente planeja exatamente porque não há como saber o que vem por aí.

Foi assim que me vi durante dois longos meses (os meses mais longos da minha vida) enterrada na cama, sem vontade nenhuma de sair, estudar e tocar pra frente. Foi aí que eu vi que alguma coisa em mim estava muitíssimo errada e eu sabia que daquele jeito não podia ficar, mas nada que eu tentasse fazer me ajudava, simplesmente porque eu não tinha forças pra isso. Dias de luta e nenhuma glória. Me vi tão sozinha e vazia como nunca havia me sentido. Parecia que não existia um sentido pra eu estar aqui. O melhor mesmo era acabar tudo de uma vez e pronto.

E ponto. Não dava mais pra continuar dessa forma. Não dava mais pra não ter vontade de viver quando se tem tanta coisa bonita pra ver no mundo. Imagine só se eu ia deixar essas pequenas coisinhas acabarem comigo sendo que a expectativa de vida é lá pelos oitenta e cinco e eu ainda tenho só dezessete. Imagine só o tanto de coisa que eu ainda não vi por esse mundão. E todos aqueles sonhos que eu tinha e que, por mais loucos que fossem, eu não ia poder realizar de forma nenhuma?

É, mas faltava trabalhar em muitas coisas. E como é que eu ia fazer tudo isso sozinha? Primeiro de tudo, eu tive que por na cabeça que era isso o que eu precisava fazer e o segundo passo era criar coragem de levantar da cama todo dia de manhã. Fui me forçando a fazer cada coisa. Fui me obrigando a ir em frente. Arrastando, sim, mas eu ia. Eu fui e cheguei até aqui. Foram muitos textos de autoajuda, aulas de autocontrole, meditação, equilíbrio emocional... aprendi um bocado sobre como isso podia ser importante na minha vida. Como pequenos atos poderiam mudar tudo. E aos poucos todo aquele sentimento pesado e ruim que eu sentia começou a ir embora. Eu comecei a me olhar no espelho então e gostar do que eu via. Eu comecei a entender, mais do que nunca, que eu valia a pena sim. Tinha uma sentido pra eu estar aqui. Eu precisava fazer valer a pena, nem que fosse só pra mim.

E foi me obrigando a viver, sendo uma mãe malvada pra mim mesma que eu me tornei uma amiga querida. Alguém que vê as partes boas. Alguém que quer ser boa pra si mesma. Que agradece todos os dias por estar aqui e poder fazer alguma coisa, mesmo que pareça tão pequena e não faça sentido pra maioria das pessoas.

Eu ainda não sou a pessoa que gostaria de ser, e provavelmente não vou ser nunca. Mas foi me incentivando a ser uma pessoa melhor, foi me incentivando a gostar da vida que eu aprendi que o incentivo vale sim. E vale muito. Cada sorriso e abraço amigo dado, cada palavra de conforto dita, cada "eu estou aqui" vale muito mais do que vocês imaginam. Incentivar alguém a viver, mostrar que vale a pena estar aqui e espalhar o amor é uma das coisas mais bonitas que se pode fazer por alguém. Ali sozinha eu aprendi que talvez me esquivar das pessoas que eu mais gostava, tentar recomeçar do meu jeito não fosse a melhor forma. Talvez eu precisasse de pessoas pra me segurarem. Mas eu sabia que não estava sozinha nessa. Tinha sempre umas duas pessoas ali, por trás de tudo isso, pessoas com quem eu não falava mais por causa disso, mas que nunca deixaram de se importar.

Nunca é tarde pra começar do zero. Nunca é tarde pra voltar atrás (sim, isso é possível) e nunca é tarde pra se tornar sua melhor amiga. Nunca é tarde pra transformar sua alma numa casinha aconchegante. Nunca é tarde pra espalhar isso pros outros. E nunca é demais incentivar as pessoas, por mais difícil que seja e por mais caso perdido que pareça.

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