20/06/2016

Capítulo 1- O psicológico transformado

O dia e a hora exata? Não lembro quais foram, mas creio que foi em março. A roupa que estava usando? Não faço a menor ideia, mas provavelmente uma bermuda jeans e uma camiseta. O perfume? Ainda não prestava atenção nos aromas. A característica que me chamou atenção? Difícil escolher uma, mas talvez o caráter, justiça, companheirismo, bom gosto musical, inteligência, simpatia...

Eu não me lembro desses detalhes, mas lembro que aos poucos, uma pessoa foi fazendo meu coração se encher de um sentimento sereno e puro, que fazia eu sonhar acordada, ouvir músicas românticas, ver beleza em tudo, sentir perfumes em lugares estranhos, sentir sabores inusitados, achar o céu lindo todos os dias, contar as horas para que chegasse mais rápido o final de semana...

Não queria admitir, mas a cada dia esse sentimento inédito foi crescendo e me distraindo, tomando conta do meu ser. Eu já tinha ouvido falar de “borboletas no estômago”, mas não sabia o que significava até me dar conta que eu sentia quando te via. Não sabia lidar com as minhas pupilas dilatadas ao te ver, nem com a minha face ficando vermelha quando aos seus toques mais simples. Não conseguia esconder o sorriso que abria quando você falava comigo, e não aceitava a mania que tinha de ver a sua última visualização.

Peguei um hábito bem irritante de fantasiar diálogos e acidentes desejados, todas as vezes que havia a possibilidade de te encontrar. Ensaiava as minhas falas em frente ao espelho, porque não podia cometer o erro de ser eu na sua frente. Arrumava-me do jeito que nunca tive disposição, para talvez ser notada. Quando chegava aos lugares, meus olhos não paravam quietos, eles percorriam todos os centímetros daquele salão. Se o meu cérebro identificava a sua faceta, apareciam os sintomas já descritos, e se ele não identificava, uma frustração horrível inundava o meu dia, eu perdia a vontade de estar ali.

Aos poucos fui adoecendo, uma doença grave e rara para a minha idade me derrubou. Essa doença é considerada por muitos, dolorosa; por outros, inadmissível, mas pra mim ela só é estranha e misteriosa. Pensava que já havia tido isso, mas confundi os nomes, pois assim como gripe e resfriado tem os mesmos sintomas, a paixão e o amor também, mas a paixão é avassaladora, incontrolável e espreme o peito, enquanto o amor é sereno, controlante e acalma o peito. Como ouvi dizer por aí, “paixão é heroína, amor é rivotril”...

Eu estava viciada e adoecida pelo rivotril...

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?