21/06/2016

(eu e a mania de coisas grandes e sem nenhum sentido) sobre como sua plantinha deve receber amor

A frase que eu mais uso ultimamente é devia estar estudando mas estou...
Estou agora ouvindo música da qual me faz sentir bem, numa manhã em que acordei mal. Sintomas de desregulações hormonais. Coisa de doido. Dor no corpo de exercícios, dor de cabeça, frio e falta de vontade de fazer tudo além do que estou fazendo agora. É tão incrível como pequenas coisas possam melhorar tanto o dia da gente. Qualquer coisinha sim, tipo tomar um café com leite doce (mesmo detestando) e entrar debaixo de uma coberta de microfibra no sofá depois de acordar atrasada na terça-feira quando se devia estar... estudando. Hum, vejamos bem. Esse é o ano de maiores provações que já passei. É, porque parece que eu fui do céu pro inferno e aos poucos retorno pro lugar de onde a gente nunca quer sair mas sempre cai e depois levanta e tem que ter coragem pra isso.

Eu nunca tive coragem pra nada. A verdade é que sou acomodada pra caramba. Isso me impede de conversar com estranhos ou fazer o que eu acordo todos os dias pra fazer. Ser acomodada me impede de viver a vida. Impede de ser feliz ou de gostar das coisas que eu gosto porque tenho medo de se essas coisas vão ser aceitas ou não. É por isso que eu tô aqui, nem sabendo o que eu tô escrevendo bem de verdade, pra contar que você não precisa disso. Eu não preciso disso. Sabe, faz tanto sentido quando você faz uma coisa que tá ali no fundinho do seu coração, quando realiza um sonho que tava morto dentro de você. Quando tira do armário planos e sacode a poeira e vê que sim, você pode fazer isso. Perdemos muito tempo na vida achando que não conseguimos fazer isso. Porque sim. Nós podemos fazer o que quisermos.

Todo mundo sempre diz que a vida é curta demais pra isso ou pra aquilo é curta de mais curta curta
curta
curta
curta da maneira que você puder.
Carpe diem.
Vivemos muito tempo sem saber quanto tempo viveremos e é por isso que todo mundo tem tanta pressa.

Eu quebrei minha cara no começo desse ano e pode não parecer tão impressionante assim (aliás, quem somos nós pra julgar o que é importante ou não na vida de alguém?) mas me senti a pior pessoa do mundo. A maior decepção, alguma coisa que meus pais deveriam simplesmente esquecer que existe. Me comparei a uma doença. Chorei tudo o que podia ser chorado. Bati com a cabeça na parede mil vezes. Gritei em silêncio porque na verdade tive medo dos outros escutarem e me sentir mais destruída assim. Eu tive medo de estar destruída. Vergonha. Afinal, muita gente passa por problemas maiores que os meus. Não faltava nada na minha vida mas mesmo assim, eu me sentia aquele nada. Sozinha, vazia, com tudo de cabeça pra baixo. É exagero sim. Exagero mesmo. Faço drama. Mas foi inevitável não me sentir assim tendo toda aquela expectativa sobre mim e tendo a obrigação de servir como exemplo.

O tempo passou. Eu cresci como uma plantinha e creio que estou começando a germinar. Em seis meses coloquei alguns projetos pessoais no mundo e trabalho neles. Trabalho na minha saúde mental e trabalho pra me colocar no lugar. Trabalho pra me ajudar e depois ajudar os outros. Escreve poemas e músicas e nem quero saber se eles ficaram bons ou não. Me arrumo pra sair porque sinto que talvez eu esteja acompanhando por dentro o que eu sou por fora. Sinto que eu tenho coragem de pensar em mim por um tempo e que eu posso fazer isso.

Esse ano me derrubou e eu aprendi a lidar com isso. Aprendi a me por de pé novamente e não ter pressa. Essencialmente não ter pressa. Porque ninguém disse que a vida é necessariamente isso que a gente acha que é (sim, todos dizem e é por isso que nos culpamos tanto) e a minha vida, com certeza não vai ser isso. Porque se com quinze anos eu tinha uma ideia, hoje eu não tenho mais. Se com quinze anos eu sonhava em sair de casa cedo e viver aventuras com a idade que tenho hoje, sinto muito menina mas os planos mudaram. Tudo mudou apesar de não ter mudado tanta coisa assim. Eu tinha sonhos bobinhos que não morreram dentro de mim. Eu tenho esperança de que dias melhores virão pra todos e que vai sim dar tudo certo, basta ter coragem e acreditar no que você considera importante.

Não é uma coisa impressionante de ser dita. Até porque todo mundo diz isso. Todo mundo diz que coisas boas vão acontecer mas eu duvido que todo mundo acredite de verdade nisso. Eu duvido que todo mundo tenha tanta fé assim porque eu nunca tive. Que imbecilidade. Duvidar da crença de alguém. Duvidar da esperança e da fé. Duvidar de que você pode tudo. Duvidar de que a gente pode ser feliz com poucas coisas. Duvidar de que sorrisos valem mais do que tudo. Duvidar de que ter um bom amigo com quem contar ou olhar pra lua cheia ou tomar café quentinho ou ouvir o que seu cantor favorito tem pra contar. Ou de escrever músicas ou de fazer textos sem sentido como esse.

Eu rego minha plantinha diariamente a gradeço por ela ter mais um dia de vida e poder crescer mais um pouquinho amanhã. E não importa se o dia é de sol ou chuva, eu agradeço por poder colocar ela lá fora um pouquinho. E eu converso e dou beijo e entendo que se eu for gentil com ela, cresce muito mais saudável.

Ah, se não fosse essa vontade tão grande de viver, não seria eu.

20/06/2016

Capítulo 1- O psicológico transformado

O dia e a hora exata? Não lembro quais foram, mas creio que foi em março. A roupa que estava usando? Não faço a menor ideia, mas provavelmente uma bermuda jeans e uma camiseta. O perfume? Ainda não prestava atenção nos aromas. A característica que me chamou atenção? Difícil escolher uma, mas talvez o caráter, justiça, companheirismo, bom gosto musical, inteligência, simpatia...

Eu não me lembro desses detalhes, mas lembro que aos poucos, uma pessoa foi fazendo meu coração se encher de um sentimento sereno e puro, que fazia eu sonhar acordada, ouvir músicas românticas, ver beleza em tudo, sentir perfumes em lugares estranhos, sentir sabores inusitados, achar o céu lindo todos os dias, contar as horas para que chegasse mais rápido o final de semana...

Não queria admitir, mas a cada dia esse sentimento inédito foi crescendo e me distraindo, tomando conta do meu ser. Eu já tinha ouvido falar de “borboletas no estômago”, mas não sabia o que significava até me dar conta que eu sentia quando te via. Não sabia lidar com as minhas pupilas dilatadas ao te ver, nem com a minha face ficando vermelha quando aos seus toques mais simples. Não conseguia esconder o sorriso que abria quando você falava comigo, e não aceitava a mania que tinha de ver a sua última visualização.

Peguei um hábito bem irritante de fantasiar diálogos e acidentes desejados, todas as vezes que havia a possibilidade de te encontrar. Ensaiava as minhas falas em frente ao espelho, porque não podia cometer o erro de ser eu na sua frente. Arrumava-me do jeito que nunca tive disposição, para talvez ser notada. Quando chegava aos lugares, meus olhos não paravam quietos, eles percorriam todos os centímetros daquele salão. Se o meu cérebro identificava a sua faceta, apareciam os sintomas já descritos, e se ele não identificava, uma frustração horrível inundava o meu dia, eu perdia a vontade de estar ali.

Aos poucos fui adoecendo, uma doença grave e rara para a minha idade me derrubou. Essa doença é considerada por muitos, dolorosa; por outros, inadmissível, mas pra mim ela só é estranha e misteriosa. Pensava que já havia tido isso, mas confundi os nomes, pois assim como gripe e resfriado tem os mesmos sintomas, a paixão e o amor também, mas a paixão é avassaladora, incontrolável e espreme o peito, enquanto o amor é sereno, controlante e acalma o peito. Como ouvi dizer por aí, “paixão é heroína, amor é rivotril”...

Eu estava viciada e adoecida pelo rivotril...

17/06/2016

A minha vida é regida por uma sorte que eu não entendo muito bem. Sou meio que um Zaphod que vai seguindo os fluxos e do nada tá dando certo, ou pelo menos certo o suficiente. Se eu tivesse um pouquinho mais de auto estima quase poderia atribuir tamanha qualidade a mim mesma, mas é meio difícil acreditar nisso.
Simplesmente não dá pra acreditar que todo mundo trabalhe ao meu favor porque eu quis que fosse assim e porque eu sou uma pessoa incrível.

Que eu sou uma pessoa incrível é verdade.
Mas é claro que isso não tem nada a ver com tudo funcionar de uma forma estranha na minha vida.

O grande problema disso (sim, há um grande problema) é quando isso não funciona muito. Quando não funciona mas as pessoas contam com que funcione. A expectativa das pessoas, na realidade, é o grande problema. As pessoas criam expectativa em mim. Um ser regido pela sorte. Não crie expectativa em mim. Até mesmo porque eu sou de aquário, e pessoas de aquário não gostam de não saber das coisas. E se vocês esperam que eu saiba, mas eu não sei, eu me sinto mal.

Expectativa é uma coisa horrível.

Expectativa estragou o Beneath the skin. Expectativa me deixa ansiosa. Expectativa me mata.

05/06/2016

Tem uma coisa muito chata que a gente tem que lidar chamada pessoas

Conhecer a coisa que se lida não torna mais fácil.
Eu sei colegas que todos tem um comportamento inesperado, e que esperam dos outros. Inclusive, esperam de mim.

O drama desse momento da vida é pessoas te pressionando para eu escolher o que fazer da vida, enquanto eu estou tentando decidir qual álbum escutar e jogar Stardoll ou The Sims? Mas é a sequência da vida da sociedade na qual nasci.

Tem aquelas horas que eu dou meu grito silencioso e eu sinto como se tivesse um peso enorme  de vazio, e isso tudo porque todos estão gritando ao redor faça e desfaça, e porque eu simplesmente não entendo tamanha pressa pra tudo isso. A gente vive cerca de 80 anos.

Mas o problema é que tá todo mundo gritando o tempo todo. Inclusive eu. E eu simplesmente odeio estar gritando. Gritando com os outros, gritando silenciosamente. Pra que a gente precisa gritar? Eu não quero gritar. Eu não quero que gritem comigo.
Prometo, a culpa não é minha. E eu não estou disposta.

Tá todo mundo gritando e eu nunca tô entendendo por que. Ninguém nunca me explica, e ninguém nunca diz o que tá acontecendo.
Então o que acontece é que eu estou perdidona na vida.

Aí eu decidi que vou ouvir o debut do Lumineers e jogar The Sims mesmo.
Obrigadão.