06/10/2015

Não sou centro de reclamações

Está exigindo muito da minha pessoa continuar viva por aí. Cada vez menos as pessoas parecem se lembrar dum trocinho muito louco chamado bom senso. E cada vez menos eu consigo me manter em paz com o resto.
Que eu sou uma chata que se irrita por qualquer coisa, acho que todo mundo já sabe. E não faço questão de ser legal também, sabe por quê? Porque tá difícil achar alguém que seja legal comigo.
Todo dia, a mesma ladainha na escola, em casa, na esquina, no mercado ou em qualquer lugar que eu vou. Ninguém tá muito feliz por um motivo ou por outro. Ninguém está plenamente feliz com a vida ou com algo e eu só tenho a dizer que EU NÃO QUERO MAIS. Tá calor? Tá. Ninguém mandou morar no Brasil. A vida tá triste? Ninguém mandou nascer, e se mandou, ninguém te impede de acabar com essa desgraça toda. O cabelo tá com ponta dupla feia? Corta. Não quer cortar? Então não reclama.

Claramente, as coisas só estão como estão porque deixamos que elas estejam como estão. E se tá ruim, a única opção que temos é mudar. E comecemos a mudar na hora de fazer drama e reclamar de coisas simples, como por exemplo, comprimento do cabelo. Tô meio deslocada agora que estudo de tarde. Tipo, não tô muito social, e nem faço questão mesmo. Sabe por quê? Já falei ele aqui, não vamos repetir o que já foi dito, porque, aliás, já foi dito. Já não aguento mais reclamações do tipo rrrr tá calor, tá difícil não tenho tempo pra nada mas rrr como tá calor queria tá numa piscina se eu não estudasse de tarde podia estar num piscina e eu já gastei, claramente, todo o meu estoque de sorrisos compreensivos que eu tinha. E agora, o que resta? Um revirar de olhos, uma batida da minha cabeça no pilar e alguma careta qualquer que não significa exatamente o que as pessoas acham que significa.

Fico pensando se vai ocorrer um dia em que todo mundo vai parar de reclamar por causas perdidas ou por causas mutáveis, e começar a fazer algo. Ou simplesmente aceitar que os bons ventos não gostam de você. Ponto final.

Eu só quero ficar de boa, ler um bom livro, e falar de algum assunto aleatório qualquer e respirar. Respirar, muito. Comentar o clima, sem se preocupar em acrescentar uma reclamação sobre tal, e beber um bom café, sem me importa com o hoje, o amanhã, e seguir o fluxo. Não sei se eu é que tô errada ou se os outros que estão errados mesmo. É mais confiável acreditar em mim do que em uma pessoa que não tem coragem de cortar o cabelo. 

Vivendo e aprendendo o que realmente importa. Ou, como disse o grande Adams, vivendo e aprendendo. Ou só vivendo. E entrando em pânico.
let it go let it be

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?