08/10/2015

Medo do que vem por aí deixando ir

Eu tenho um medo enorme de pensar no futuro. De pensar em sobre como as coisas devem ser daqui um tempo e do que eu devo fazer pra que essas coisas aconteçam. Que coisas, exatamente, eu não sei. Aliás, não tenho a mínima ideia do que eu quero pro meu futuro. Estou a um passinho fora do colégio e de escolher o que estudar pra fazer isso o resto da minha vida (ou não, já que as vezes eu sou uma bitch e quando boto na cabeça que não tô mais afim, não tô mesmo), sair de casa, viver minha vidinha e acabar com três filhas lindas que nem os meus pais, que passaram por muito perrengue e tão aí, levando a vida como todo o mundo faz, mesmo que seja superdifícil.

A pergunta "o que você se imagina fazendo daqui 10 anos" ou "onde você acha que estará com 85 anos" nunca faz sentido pra mim. Tipo, não tem como a gente planejar o que vai fazer. Tudo bem, tem gente que faz lista de coisas pra fazer em tal e tal idade. Não é estranho, é um jeito de a pessoa ter segurança de vida. Eu não tenho uma lista, e também não tenho segurança de vida. O que eu quero dizer é que não tem MESMO como planejar o futuro, simplesmente pelo fato de que a gente nem sabe se ele vai existir.

É por isso que estou aqui, faltando dez minutos pras quatro, numa tarde onde (obrigada Deus) eu não tive aula no curso, ouvindo Mac Demarco porque sinto falta da praia e tá bastante calor (desculpa Duda por reclamar do calor mesmo não podendo fazer nada a respeito), e procrastinando, a única coisa que faço bem. Aliás, gosto de me dar o prazer de não fazer nada, já que as pessoas exigem muito isso de mim. Exigem muito isso de todo o mundo. Todo o mundo tem sempre que estar fazendo alguma coisa pra realmente valer a pena no mundo e blá blá blá. Mas eu não acredito nisso. Não acredito que a gente seja sempre obrigado meeeeesmo a fazer alguma coisa. Por isso, nesse exato momento, não estou fazendo nada. Assim como a tarde toda. Simplesmente porque eu me deixei fazer isso.

Se eu me sinto culpada? É claro que me sinto. Afinal, como eu mesma já disse antes, estou a um passo de passar por ENEM e sair do ensino médio, o que é bastante estressante e principalmente exige muito estudo da minha parte. E menos procrastinação. O problema é que eu não tenho a mínima ideia de como vai ser e como já disse também, tenho muito medo de pensar no futuro. O fato de eu ter começado um texto com a frase eu tenho um medo enorme de pensar no futuro não é em vão, porque esse é realmente o meu maior medo. Meu medo enorme é por não ter grandes ambições pra minha vida ao contrário dos meus pais que realmente apostam em mim e também por não querer decepcionar ninguém por causa disso.

Será que, aos dezesseis anos, meus pais imaginavam que teriam a vida que eles tem hoje? Provavelmente não. Provavelmente tinham outros sonhos e certamente pouquíssima coisa condiz com o que eles queriam com a minha idade. Vale à pena planejar tanto assim, ou querer ter certeza de coisas que não tem jeito de saber, ou, sei lá, colocar os bois na frente da carroça? Não acho que ser tão capricorniano ajuda nessas horas. Acho que sou sim muito sonhadora pros dias que são difíceis pra nós. É difícil esquecer da vida e passar uma tarde fazendo nada porque meu pensamento tá sempre me culpando por não ter feito nada. E por não pensar no que vem por aí. Ou por não ter uma lista do que fazer. Ou por não querer saber mesmo. Só quero deixar estar. Sem pensar demais. Ai que coisa chata.

daqui

06/10/2015

Não sou centro de reclamações

Está exigindo muito da minha pessoa continuar viva por aí. Cada vez menos as pessoas parecem se lembrar dum trocinho muito louco chamado bom senso. E cada vez menos eu consigo me manter em paz com o resto.
Que eu sou uma chata que se irrita por qualquer coisa, acho que todo mundo já sabe. E não faço questão de ser legal também, sabe por quê? Porque tá difícil achar alguém que seja legal comigo.
Todo dia, a mesma ladainha na escola, em casa, na esquina, no mercado ou em qualquer lugar que eu vou. Ninguém tá muito feliz por um motivo ou por outro. Ninguém está plenamente feliz com a vida ou com algo e eu só tenho a dizer que EU NÃO QUERO MAIS. Tá calor? Tá. Ninguém mandou morar no Brasil. A vida tá triste? Ninguém mandou nascer, e se mandou, ninguém te impede de acabar com essa desgraça toda. O cabelo tá com ponta dupla feia? Corta. Não quer cortar? Então não reclama.

Claramente, as coisas só estão como estão porque deixamos que elas estejam como estão. E se tá ruim, a única opção que temos é mudar. E comecemos a mudar na hora de fazer drama e reclamar de coisas simples, como por exemplo, comprimento do cabelo. Tô meio deslocada agora que estudo de tarde. Tipo, não tô muito social, e nem faço questão mesmo. Sabe por quê? Já falei ele aqui, não vamos repetir o que já foi dito, porque, aliás, já foi dito. Já não aguento mais reclamações do tipo rrrr tá calor, tá difícil não tenho tempo pra nada mas rrr como tá calor queria tá numa piscina se eu não estudasse de tarde podia estar num piscina e eu já gastei, claramente, todo o meu estoque de sorrisos compreensivos que eu tinha. E agora, o que resta? Um revirar de olhos, uma batida da minha cabeça no pilar e alguma careta qualquer que não significa exatamente o que as pessoas acham que significa.

Fico pensando se vai ocorrer um dia em que todo mundo vai parar de reclamar por causas perdidas ou por causas mutáveis, e começar a fazer algo. Ou simplesmente aceitar que os bons ventos não gostam de você. Ponto final.

Eu só quero ficar de boa, ler um bom livro, e falar de algum assunto aleatório qualquer e respirar. Respirar, muito. Comentar o clima, sem se preocupar em acrescentar uma reclamação sobre tal, e beber um bom café, sem me importa com o hoje, o amanhã, e seguir o fluxo. Não sei se eu é que tô errada ou se os outros que estão errados mesmo. É mais confiável acreditar em mim do que em uma pessoa que não tem coragem de cortar o cabelo. 

Vivendo e aprendendo o que realmente importa. Ou, como disse o grande Adams, vivendo e aprendendo. Ou só vivendo. E entrando em pânico.
let it go let it be