09/12/2014

"Você vai para as cidades de papel e nunca mais voltará"

eu tô muito atrasada!!!! (se você ainda não leu, tem spoilers aí)
Eu geralmente não falo sobre livros porque nunca sei o que falar sobre eles. Mas existe esse livro, que se tornou o meu preferido meio sem motivos, que toda a vez que eu leio me traz um sentimento diferente. E não é só por isso que eu quis falar sobre. Só pra constar, isso não é uma resenha. Eu definitivamente não sei escrevê-las. É simplesmente um pedacinho do amor que eu sinto por uma obra literária.

Primeiro que, depois de lê-lo no natal passado, indiquei pra todas as minhas amigas que também curtem ler John Green, porque pra mim, Cidades de Papel é o melhor livro. E foi por esse motivo que eu reli esse natal e me prometi que todos os natais teriam Cidades de Papel embaixo do pinheirinho (é esse o lugar que eu leio nessa época ahahahahah). Voltando: bem, eu indiquei pras meninas e todas ficaram animadas pra ler, já que né, temos A Culpa é das Estrelas, o queridinho, O Teorema Katherine que não é tão bom mas ainda assim é uma leitura ótima e o aclamado Quem é Você, Alasca? que realmente é mágico. E aí veio a minha decepção. Não que eu realmente esperasse que todas amassem o livro ou coisa do tipo. Mas também não esperava que não gostassem do meu queridinho. Porque, por mais que tentassem ler, o livro não tinha um final e não terminava nunca, além de ser chato pakas.

Sabe, um pouco disso eu até consigo entender, porque realmente é enrolado, Margo se mostra uma vaca e toda aquela história do mistério e da ânsia de encontrar a menina supostamente perdida dá nos nervos a partir de um momento. E não é isso que deixa a história incrível. Pra ler Cidades de Papel você tem que ler as entrelinhas. Assim como o poema de Whitman citado durante o enredo. Assim como Quentin precisa ler as entrelinhas e entender como Margo, sua paixão de infância, a garota mais incrível do universo, realmente funcionava. O que é difícil demais, afinal, ela é meio complicada demais.
O que eu mais gosto nessa coisa toda é toda a parada de descobrir a si mesmo e às pessoas ao seu redor. Em perceber como elas realmente são e deixar pro lado toda a coisa que realmente importa. Margo era uma garota de papel, sem dimensão, que criticava o mundo à sua volta por não se encaixar nele. O mundo era de papel e ela também era. E só percebeu isso muito tempo depois, depois de ter feito muita burrada na vida pra realmente descobrir a realidade de si mesma. A nossa vida inteira passamos tentando descobrir o que somos e chega uma hora em que paramos e não conseguimos chegar a conclusão alguma: então nos acomodamos. É engraçado o quanto pensamos conhecer quem nos rodeia e na verdade, não sabemos nem um terço sobre eles. Somos muito mais profundos do que isso e mesmo as pessoas de papel, pessoas sem dimensão, sem profundidade, são excluídas disso porque todos nós somos pessoas em constante desenvolvimento e processo de encontro. A cada segundo novas ideias surgem, novos olhares e blá blá blá.

O bom de John Green é que ele consegue fazer apologias sutis às coisas. Dia desse eu estava lendo O Amor nos Tempos do Cólera (e depois de um ano ainda não terminei hahaha) e na parte em que o homem morre, Gabriel Garcia Márquez fala dos fios que se arrebentaram dentro dele. Que não suportavam mais, que estavam finos demais. E aí eu lembrei que quando Robert Joyner morre e Margo Roth Spiegelman diz que seus fios devem ter arrebentado, porque já estavam frágeis demais. E aí também são usadas várias metáforas pra vida. Além dos fios.

Eu nunca consigo desenvolver direito as minhas ideias, principalmente sobre coisas que eu gosto muito. Cidades de Papel é um livro que me fez rir e me identificar, porque eu acho que tenho um pouco de Margo. Todos temos um pouco de Margo. Todos nós queremos nos encontrar, ser bravos e seguir em frente. Começar a vida de um jeito diferente. É mais ou menos isso que fazemos quando um novo ano começa e tentamos deixar tudo pra trás e começar do zero (não tudo, mas vocês me entenderam). Quando criamos metas que não necessariamente serão cumpridas e quando estipulamos um tempo pra viver. Pra fazer as coisas antes que nossos fios se arrebentem. Pra que a gente não se torne pessoas de papel e sem profundidade. Pra que a gente realmente se encontre. Pra que tudo aconteça como tem que ser.
É claro, o fim não é tão previsível assim (e foi por isso que minhas amigas não gostaram e eu sei que muita gente também não). Pelo menos não foi pra mim, porque eu realmente pensei que Margo fosse voltar. Ou eu fui muito ingênua ao pensar que só existem finais felizes (aliás, ainda não vi nenhum final completamente feliz em John Green...). Quentin não encontra Margo e tudo fica bem, vivem um história de amor e constroem uma vida juntos, fazendo faculdade e vivendo na cidade deles. Quentin encontra Margo e percebe que aquela garota que era um milagre, que era incrível, é só uma garota como todas as outras. Uma pessoa normal, que vive em um constante dilema tentando se encontrar. E que toda aquela fachada era completamente diferente do que realmente acontecia. É por isso que eu não acredito em fachadas. Mas mesmo assim, sempre tem alguma coisa pra julgar (e ninguém escapa disso.). Somos todos humanos.

Além de ser uma história de grande amizade, de extremos, de amor e de busca pela verdade, Cidades de Papel é do John Green, e todo o mundo sabe que eu adoro esse cara. E não adianta fazer cara feia.

"Você vai para as cidades de papel e nunca mais voltará".

Um comentário:

  1. esse livro é incrível. não sou muito de comparar as coisas mas achei muito melhor que tfios. é muito auto descobrimento, é muito descobrimento do mundo. é um livro lindo, de verdade.
    ana, caso queira saber, eu tô mudando de blog. se quiser visitar o url é colecionandomonologos.tumblr.com e eu tô escrevendo num pseudônimo.
    beijos.

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