10/12/2014

Mais uma pedra no caminho da sociedade

Em primeiro lugar, eu quero esclarecer que não é falta de louça pra lavar, não é ser leviana com meu corpo, não é culpa da vítima, e por último, mas não menos importante, não é falta de homem! Essas são algumas frases bem presentes no nosso cotidiano carregadas de machismo e preconceito; frases as quais fazem companhia a atos de violência física, psicológica e verbal contra a mulher, e que muita gente diz ser apenas brincadeira, apesar de não ser. Nas últimas semanas dois fatos sobre machismo bombaram na internet e deixaram muitas pessoas indignadas: o primeiro foi a pesquisa realizada pelo Instituto Avon e Data Popular que entrevistou 2.046 jovens de 16 a 24 anos de todas as regiões do país, e a outra foi a frase dita pelo deputado Jair Bolsonaro à deputada Maria do Rosário.

Eu não vou falar sobre todos os dados, mas de modo geral a pesquisa mostra que  96% dos entrevistados afirmam viver em uma sociedade machista, 48% deles dizem achar errado a mulher sair sozinha com os amigos, sem a companhia do marido, namorado ou "ficante", 76% criticam aquelas que têm vários "ficantes" e 80% afirmam que a mulher não deve ficar bêbada em festas ou baladas. E o deputado disse que não estupraria a colega porque ela não merece. E eu, assim como várias pessoas, fiquei chocada com os dois fatos.

A pesquisa e o comportamento do deputado mostram como nossa sociedade é machista sim, como as mulheres ainda não têm o o mesmo respeito e direitos que os homens têm, e porque é preciso fazer muitos textos, campanhas e abordagens sobre esse assunto que ainda é visto como coisa de mulher insatisfeita, pois o machismo não é um pensamento de homens, mas é um pensamento passado de geração em geração entre homens e mulheres.

Cresci ouvindo algumas tias mandar eu lavar a louça, e quando pedia para meu primo me ajudar elas soltavam aquela frase "Lavar louça não é coisa de homem, Marina, para de reclamar e faça o seu serviço!". E quando era pequena e as vezes chamava algum amiguinho para brincar de boneca ele dizia "Boneca é coisa de menina!". Também tinha aquele conceito de rosa é de menina e azul é de menino (não é um conceito infantil, pois alguns estabelecimentos têm a placa rosa para banheiro feminino e azul para masculino). A ideia de que as meninas são mais quietinhas, comportadas e cuidadosas, e os meninos bagunceiros e desobedientes, e o que foge disso é anormal.

Eu cresci e vi que tudo apenas piorava. Quando um homem fica com várias mulheres ele é o garanhão, mas quando uma mulher fica com vários homens é a puta! Se uma mulher faz algo de errado no trânsito "tinha que ser mulher!". As profissões também são rotuladas; designer é coisa de mulher e engenharia de homem, isso porque os homens são inteligentes, e as mulheres têm bom gosto (quanta mente fechada)! O abuso sexual, e a violência doméstica. A diferença no salário e no reconhecimento. Os assédios nojentos que as mulheres sofrem ao andar nas ruas. E nas coisas mais simples como o corte de cabelo, as atividades, bandas, filmes e livros que gosta. Tudo é definido como "coisa de homem" ou "coisa de mulher".

 Mas mesmo com todos os argumentos, todas as provas de que as mulheres não possuem o respeito que merecem, há pessoas que afirmam não existir machismo, que as mulheres precisam se dar ao respeito, e as feministas odeiam homens. Essas pessoas -não sei se fico brava ou com dó delas- confundem feminismo com femismo. O feminismo busca a igualdade de gêneros, o fim dessa segregação e inferioridade da mulher. Enquanto o femismo acredita que as mulheres são melhores e superiores aos homens.

Ainda não alcançamos tudo o que merecemos e precisamos, e para conseguirmos, precisamos lutar muito contra pensamentos machistas, preconceituosos e conservadores. O que é bem complicado quando até políticos que tem como função ajudar a sociedade ir pra frente se mostram incapazes de respeitar as mulheres. O texto ficou um pouquinho muito grande, e ficaria maior se eu fosse escrever tudo o que penso sobre, mas precisamos falar sobre isso. Eu sou bem chata com esse assunto, e quando alguém diz "Isso não é coisa de mulher" aí que eu vou e faço, claro que sempre vai ter alguém falando na minha cabeça, mas eu não ligo, pois é fazendo isso que as mulheres vão mostrar que são tão capazes e podem fazer tudo o que os homens fazem.

Se quiser diga-me a sua opinião sobre o assunto, será um prazer saber o que vocês pensam. E pra quem quiser ler mais sobre a pesquisa e a fala do deputado, eu li nas seguintes fontes, respectivamente:
• https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/os-numeros-do-machismo-no-brasil-pesquisa-revela-opiniao-de-jovens-entre-16-a-24-anos/
•http://www.valor.com.br/politica/3809906/bolsonaro-diz-que-nao-estupraria-deputada-porque-ela-nao-merece .

Um comentário:

  1. tenho pensado sobre o assunto frequentemente. a cada dia fico mais incomodada e chateada com a falta de respeito com nós mulheres, uma coisa gravada na nossa cultura há séculos. e o que mais aperta a ferida são esses detalhes do cotidiano: nossos próprios parentes definindo o que é coisa de mulher e o que é coisa de homem fazer, etc. pq mesmo q a gente tente discutir e explicar q não, homem tb lava louça e q mulher tem direito de pegar quem ela quiser e quantos quiser SIM, tá enraizado na educação dessas pessoas, e mesmo que seja uma questão óbvia elas não veem as tais injustiças. pra elas são o certo, o normal, o louvável. e isso é nojento.

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