08/08/2014

Nos embalos de sexta à noite.

Faz uma semana, ou quase duas, que eu costumo sair quase todos os dias a tarde, fazer alguma coisinha, combinar de comer pizza com o pessoal e ficar mais sociável. Acho que isso também veio um pouco dessa semana em que, segundo meu horóscopo (e as conspirações da vida), tudo estava ficando certo pra mim, as coisas estariam se colocando nos eixos e eu me daria folga do mundo um pouquinho. Ontem depois do almoço eu estava escovando os dentes e a mãe veio me perguntar se aquela tarde eu ia sair, ou se tinha alguma coisa pra fazer. Eu não tinha, até porque isso não é nenhuma novidade pra mim. Aliás, nesses quinze anos todos, se eu for contar todas as vezes que sai pra passear com minhas amigas e fazer qualquer coisa pra dar risadas, não consegue-se encher duas mãos. Nem pra festas de aniversário eu fui convidada, pra se ter uma ideia.

O negócio é que nunca fui a mais popular na escola e nunca tive assim tantos amigos. Não que eu precise de tantos amigos assim. Eu tenho o que preciso e faço jus à isso. Gosto de ser assim. Mas aí quando percebo que realmente estou mudando, crescendo, por assim dizer, me tornando uma pessoa mais comunicável ou sei lá, aí eu vejo que realmente as coisas mudam. Chegava um tempo em que me convidavam pra ir tomar um sorvete no sábado à tarde, pra bater um papo ou ver um filme e eu inventava que tinha alguma outra coisa pra fazer, só pra não ir. Ao mesmo tempo que inventava que ia à festas só pra pensarem que eu tinha vários amigos e pá. Que imbecilidade, nem acredito que algum dia fiz isso. (foi na época dos óculos coloridos e Restart)

Amanhã vai ter um evento aqui na cidade feito pelo pessoal da Casa do Teatro em parceria com um bar bacana daqui. Eu juro, é sério, que nunca pensaria em ir a um negócio desses antes. Imagina: gente pra caramba, música alta, tumulto, falação, a chance de ter bebida derramada no calçado e de levar mil pisões no pé NUNCA me chamaria atenção. Já teve uma época em que fui convidada pra primeira festa de quinze anos da minha vida em que pensei que eu realmente tivesse mudado nesse quesito e que, de alguma forma, tivesse virado mais baladeira tuts tuts tuts. Só que não. E agora, não que eu tenha virado baladeira adepta do arrocha vamo lá tuts tuts tuts assim que eu gosto, não MESMO; mas agora eu me permito ser amiga das minhas amigas e falar dos gatos (que nem acho gatos) e correr o risco de ficar com refrigerante grudando na minha melissa até o fim do dia.

Algumas coisas na gente nunca mudam. Mas a partir do momento em que eu começar a ir em todas essas coisas e ficar bêbada e chorar pelos cantos, aí o negócio vai ficar sério. Mas é claro que isso ainda vai demorar. E muito.

Eu nunca vou parar de ser ranzinza e de mentir que tenho um compromisso pra deixar de ir a algum lugar pra que me chamarem. Porque eu sou bem filhona da mãe assim mesmo. E eu também sei que ninguém acredita que eu tenha sempre uma coisa pra fazer justamente na hora em que me chamam pra mais alguma coisa. Eu gosto de badalo, mas tudo na medida. E no dia em que eu quiser ficar em casa vendo qualquer filminho e tentando fazer um bolo de fubá, por favor, não tente me convencer a nada.

Minha vida não passa de uma tentativa de fazer as coisas darem certo. Eu já tentei ser A garota do colégio, A linda, A cultural, A baladeira. Mas hoje em dia... ah, hoje eu dia eu não quero mais nada disso. Eu só quero poder dormir nas aulas desinteressantes e poder escolher e dizer na cara das pessoas quando quero, ou não, sair de casa. Sem precisar torcer pra que chova e eu ter desculpa pra não ter ido.

Nos embalos dessa sexta à noite: bolinho da minha prima e apenas uma foto na webcam toy (é, eu estou conseguindo me controlar). (pra quem não sabe, sou viciada em webcam toy.)

2 comentários:

  1. Tô indo pra os meus 21 anos e ainda não entrei nessa fase sociável, hahahaha! E aí, como proceder?

    Ah, se divertir é sempre bom. Eu ainda uso minhas desculpas para não sair de casa, mas meio que me forço às vezes a dar minhas saídas, contatar amigas, ser mais "normalzinha". Não funciona muito bem, mas eu tento.

    Enfim, boa sorte nessa nova fase, guria! o/

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  2. Acho que sempre alternei entre o sociável e o introspectivo!
    Tem dias que não sinto vontade de estar junto nem com minha sombra, e tem dias em que bate aquele fogo no rabo uma vontade imensa de sair, rsrsrs.

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?