28/08/2014

Minha sombra hipocrisia

Facebook
Fui para a rua e briguei,
ergui cartazes, vesti máscaras,
até nas redes sociais protestei.
E hoje, depois que o fogo se apagou,
não me dou o trabalho de pensar
nas causas pelas quais lutei,
nem nos objetivos que almejava.
"Não precisamos de copa, precisamos de hospitais!"
Vesti minha camisa amarela e torci.
"Precisamos de uma educação digna!"
Se não durmo, mexo no celular durante as aulas.
"Não coloque bandidos no poder!"
Votei em um político que só beneficia o próprio bolso.
Na verdade, fui aos protestos porque todo mundo foi.
Eu não ligo para ninguém além de mim.
Se eu tenho o que quero, danem-se todos!
Por que perder meu tempo com os outros,
se hoje vou à balada com minha ID falsa?
De quê adianta pensar em tantos problemas,
se é meu pai que me banca?

22/08/2014

mas, definitivamente, a vida continua

Estou eu discutindo sobre como a vida continua, como a vida de alguns parece tão simples e de outras tão hard. E de pessoas que tem problemas existenciais, e de pessoas com problemas de verdade e de todas essas coisas com Carol.

Mas a vida continua. Eu já tentei me convencer disso. De que todo mundo sobrevive, de que todo mundo tem, lá no fundinho, algo de especial. Inclusive eu! Por mais que isso pareça impossível. Talvez ser a garota boa nos estudos seja o que há de melhor em mim, e eu deveria aproveitar. Ou sei lá.

A questão (como vocês já devem ter percebido, minha vida é cheia de questões principais que sempre são AS questões...) é que ninguém sabe viver. A gente só vai andando. As vezes as coisas não dão muito certo, e você precisa pensar um pouco, saber um pouco dos outros, respirar, beber uma boa xícara de café e ter uma boa noite de sono.

Mas todo mundo sobrevive. E até gente muito mais lerda sobrevive Até gente muito menos amada sobrevive. Por que não eu? Quer dizer, talvez meu talento não seja esse nenhum já conhecido. Talvez eu tenha talento para algo. Mas quem liga? Que dizer, todo mundo sobrevive. Já vi gente na pior. Já vi minhas perguntas serem respondidas. Já vi meu mundo começar a fazer sentido. Muito mais sentido do que o de muita gente, que no fim da coisa toda, terá sobrevivido tempo suficiente.

Então as coisas vão acontecendo. Vão fluindo. Assim como esse texto. Começam de um jeito e terminam de outro. Mas se a coisa toda for um livro dessas séries que você já sabe todos os passos - o final todos sabemos.. -, não tem graça. Ou tem. Porque nos sabemos que nada mais somos do que simples animais que nasceram para se reproduzir e livrar a espécie da extinção. Isso é tão complexo. A vida definitivamente não faz sentido. O sentido da vida não faz sentido, nem me parece justo.

POR QUE RAIOS ESTAMOS AQUI? POR QUE TANTAS PERGUNTAS NA MINHA CABEÇA, SE NO FIM, NÃO VAI SOBRAR NADA DISSO?
rollercoaster | via Tumblr
Correndo sempre no mesmo lugar... Oh dear unicorn...
pretty-transparents:

silky bow ♡ ♥
Float forever

16/08/2014

Porque ultimamente tudo é rosa (e um desabafo)

Apenas pra constar
minha obsessão
por rosa.
Mesmo que momentânea.

Se tem uma coisa que me deixa boladaça é a tal da coisa de comparar um livro com outro do mesmo autor. Tipo: John Green escreveu A Culpa é das Estrelas e depois Cidades de Papel. Todos amam o primeiro e muitos detestam o segundo. Ficam todos esperando a mesma fofura, a mesma história bonitinha pros dois livros só por serem do mesmo autor. O negócio é que cada livro tem uma vibe e uma história que precisa ser mostrada. 

É a mesma coisa com a Stephanie Perkins: o pessoal lê Anna e o Beijo Francês primeiro e logicamente ama. Depois lê Lola e o Garoto da Casa ao Lado e espera a mesma coisa. Galerê: são dois livros, duas histórias diferentes. Mesmo que do mesmo autor. Um autor não se resume a um tipo específico de livros. Assim como uma banda muda de estilo, autores escrevem conforme o que sentem no momento, com o que lhes ocorre.

Assim como cá estou eu a escrever esse texto, no meio de outra coisa completamente diferente.
pretty-transparents:

silky bow ♡ ♥
bahllsy:

☆ bambi/indie blog ☆

13/08/2014

Nicholas Mendise
estou com mania de escovar os dentes antes do café
e de ainda pensar em você

08/08/2014

Nos embalos de sexta à noite.

Faz uma semana, ou quase duas, que eu costumo sair quase todos os dias a tarde, fazer alguma coisinha, combinar de comer pizza com o pessoal e ficar mais sociável. Acho que isso também veio um pouco dessa semana em que, segundo meu horóscopo (e as conspirações da vida), tudo estava ficando certo pra mim, as coisas estariam se colocando nos eixos e eu me daria folga do mundo um pouquinho. Ontem depois do almoço eu estava escovando os dentes e a mãe veio me perguntar se aquela tarde eu ia sair, ou se tinha alguma coisa pra fazer. Eu não tinha, até porque isso não é nenhuma novidade pra mim. Aliás, nesses quinze anos todos, se eu for contar todas as vezes que sai pra passear com minhas amigas e fazer qualquer coisa pra dar risadas, não consegue-se encher duas mãos. Nem pra festas de aniversário eu fui convidada, pra se ter uma ideia.

O negócio é que nunca fui a mais popular na escola e nunca tive assim tantos amigos. Não que eu precise de tantos amigos assim. Eu tenho o que preciso e faço jus à isso. Gosto de ser assim. Mas aí quando percebo que realmente estou mudando, crescendo, por assim dizer, me tornando uma pessoa mais comunicável ou sei lá, aí eu vejo que realmente as coisas mudam. Chegava um tempo em que me convidavam pra ir tomar um sorvete no sábado à tarde, pra bater um papo ou ver um filme e eu inventava que tinha alguma outra coisa pra fazer, só pra não ir. Ao mesmo tempo que inventava que ia à festas só pra pensarem que eu tinha vários amigos e pá. Que imbecilidade, nem acredito que algum dia fiz isso. (foi na época dos óculos coloridos e Restart)

Amanhã vai ter um evento aqui na cidade feito pelo pessoal da Casa do Teatro em parceria com um bar bacana daqui. Eu juro, é sério, que nunca pensaria em ir a um negócio desses antes. Imagina: gente pra caramba, música alta, tumulto, falação, a chance de ter bebida derramada no calçado e de levar mil pisões no pé NUNCA me chamaria atenção. Já teve uma época em que fui convidada pra primeira festa de quinze anos da minha vida em que pensei que eu realmente tivesse mudado nesse quesito e que, de alguma forma, tivesse virado mais baladeira tuts tuts tuts. Só que não. E agora, não que eu tenha virado baladeira adepta do arrocha vamo lá tuts tuts tuts assim que eu gosto, não MESMO; mas agora eu me permito ser amiga das minhas amigas e falar dos gatos (que nem acho gatos) e correr o risco de ficar com refrigerante grudando na minha melissa até o fim do dia.

Algumas coisas na gente nunca mudam. Mas a partir do momento em que eu começar a ir em todas essas coisas e ficar bêbada e chorar pelos cantos, aí o negócio vai ficar sério. Mas é claro que isso ainda vai demorar. E muito.

Eu nunca vou parar de ser ranzinza e de mentir que tenho um compromisso pra deixar de ir a algum lugar pra que me chamarem. Porque eu sou bem filhona da mãe assim mesmo. E eu também sei que ninguém acredita que eu tenha sempre uma coisa pra fazer justamente na hora em que me chamam pra mais alguma coisa. Eu gosto de badalo, mas tudo na medida. E no dia em que eu quiser ficar em casa vendo qualquer filminho e tentando fazer um bolo de fubá, por favor, não tente me convencer a nada.

Minha vida não passa de uma tentativa de fazer as coisas darem certo. Eu já tentei ser A garota do colégio, A linda, A cultural, A baladeira. Mas hoje em dia... ah, hoje eu dia eu não quero mais nada disso. Eu só quero poder dormir nas aulas desinteressantes e poder escolher e dizer na cara das pessoas quando quero, ou não, sair de casa. Sem precisar torcer pra que chova e eu ter desculpa pra não ter ido.

Nos embalos dessa sexta à noite: bolinho da minha prima e apenas uma foto na webcam toy (é, eu estou conseguindo me controlar). (pra quem não sabe, sou viciada em webcam toy.)