27/06/2014

usar meia calça é um saco

passei alguns dias sem computador e não me senti vazia, acho que pela primeira vez. internet/computador/facebook/seja lá o que for sempre me foi muito importante. nem morri por não poder abrir o tumblr e olhar fotos e mais fotos por horas e nem fiquei maluca por não poder dar f5 no blog a cada dois minutos. na verdade, fiquei é muito tranquila. alguma coisa que não me acontecia há muito tempo nas épocas sem pc. nhá. nesses, ahn, sete exatos dias eu desenhei, eu li, eu grifei poesias, eu tirei fotos, jantei no exterior, eu fui à uma festa junina crazzzzzzy, dancei quadrilha com meu primo mais parado que um cone e botei minhas conversas em dia com meu melhor amigo. escutei bem poucas músicas e bastante o barulho da chuva, porque não para de chover compulsivamente na minha cidade e no Br inteiro (é?).

tenho uma puta preguiça de digitar e meu sonho seria todas as palavras serem escritas como em Her, onde todas aquelas cartas eram escritas pelo dom tão bonito da fala que nós temos. então eu fiquei muito tempo só guardando tanta coisinha na cabeça, sem escrever ou dizer pra ninguém. eu evito falar no whatsapp ou seja lá o que for porque tenho raiva de digitar errado. eu sou lerda. não entendo nem o que eu digito errado, muito menos os outros. mas eu abri exceções nesses sete dias cinzas e sem a porra do pc (que eu amo tantoOoOoO) pra digitar e talz no meu lindo celular para meu querido amigo que nunca é feliz e finge isso muito bem.

isso foi uma coisa que me fez pensar muito, na verdade. tem tanta gente nesse mundo e tem tanta coisa que precisa ser feita, tanta palavra que precisa ser dita e tanta coisa linda pra viver e as pessoas ficam de mimimi do tipo "não posso fazer isso porque (sou covarde) o que vão pensar de mim blá blá blá". gente, fala sério pra mim. eu não acredito que as pessoas não se dão o privilégio de dançar sem música ou de pensar bobeiras ou de demonstrar que se está triste, porque tudo o que vivemos é uma faxada mal construída de nós mesmos. ou de um alguém que nós queremos ser. falta permissão. falta assumir que as coisas não andam bem e parar de postar fotos com carinha feliz no instagram porque você é amigo de todo o mundo. eu me embolo nas ideias, certo. ui crazy help meEeEeE

esse meu amigo tem medo de assumir as coisas. e é do tipo que ama a todos e tá sempre feliz. será? todos somos inconstantes. eu já falei sobre isso. volúveis, móveis, como dizia Heráclito. o ser está em constante mutação, estamos em constante aprendizado, em constante amadurecimento e em constante crescimento emocional. permitir-se sair na rua de moletom ou chinelo havaianas sem medo do que os outros vão pensar mostra que você não fica presinho na caixinha lá no seu armário; mostra que você é livre. e por que é que a gente tem medo de ser livre? tem medo de ser só o que a gente é? por que é que existem todos os rótulos e a encheção de saco? meu amigo me disse que tenho a auto-estima baixa porque as vezes eu tô feliz e outras, triste. minha auto-estima não é baixa. mas é alta o suficiente pra eu não precisar provar nada pra ninguém. ninguém tá aqui pra provar nada pra ninguém. eu tô só de passagem.

eu sou a rainha de querer ajudar e ver as coisas certas. eu sempre fiz de tudo pra, quando as coisas não estão bem em casa, botar um sorrisinho ou qualquer coisa que quebre o gelo na cara do pessoal. eu sempre quis ver todo o mundo feliz e todas as coisas certas. mas eu nunca deixei de me importar comigo mesma. eu parei de pensar que minha mãe acharia errado usar jeans em casa ou botas. ou meia calça e rasgá-la por aí. ou me achar chata por tirar fotos de tudo o que meus olhos acham singelo. eu nunca parei de achar que o que eu queria era mais importante. pode soar egoísta? pode ser que sim. mas eu sempre pensei que se a gente tá bem, se a gente tá feliz e de bem com a vida, o que a gente quer fazer pelos outros ao nosso redor vai sair mais bem feito. e aí as pessoas vão perceber que você tá de bem com você. e feliz!!!! que é o que mais importa no mundo todo.

então, se permitir fazer coisas estúpidas, amar sem ser correspondido, sentir a brisa bater no cabelo e dançar sem música no meio da rua pode ser bom. eu acredito nessas coisas simplesinhas e bobas. e não deve ser porque tenho quinze anos e vejo a vida como um mar de rosas. mas é porque tudo isso vai passar. e eu vou crescer e amadurecer tudo o que tinha pra amadurecer e nada disso vai importar. minha mãe me disse esses dias que também tinha os mesmos problemas que eu na minha idade. mas agora ela tem trinta e oito. e nada mais importa. mas de que vale tudo se esse problemas tão supérfluos e bobinhos não existirem? aí nem filme da disney ajuda.


trilha sonora do meu dia

2 comentários:

  1. Caramba. Você tirou as palavras da minha boca.
    Eu acho tão chato esse negócio de rótulos e padrões que as pessoas se sentem obrigadas a se encaixar, a seguir. Cara. Não vejo qual a finalidade que querer ser igual a todo mundo. No final das contas ninguém se encaixa, de fato, somos todos diferentes e essa é a boa. As diferenças nos ensinam muito e estamos aqui pra isso, não? Pra aprender. E, acima de tudo, estamos aqui pra sermos felizes. Se não, que graça tem a vida? Que graça tem crescer, fazer uma faculdade que os outros acham bacana e você não, usar as roupas que os outros dizem que fica legal, mas você não acha? De que adianta? ... Enfim. Concordo muito com você. Temos que fazer aquilo que faz o nosso coração bater mais forte, temos que tirar fotos daquilo que achamos bonito, sim, temos que sorrir ao ver um casal de velhinhos passeando de mãos dadas e temos que nos pegar felizes por esses pequenos momentos.

    Meu maior medo é crescer (tenho 19, ainda não tô tão velha, mas já não sou nenhuma criança) e deixar de valorizar essas coisas, sabe? Eu não quero me tornar uma adulta sistemática que trabalha pra ter dinheiro pra pagar as contas, que se casou com alguém pra não morrer sozinha, que sai pra jantar apenas por sair, que não VIVE em maiúsculas. Eu não quero perder a paixão pela vida.

    Enfim.
    Adorei adorei esse texto. Me fez pensar muito.
    Você escreve maravilhosamente bem. Parabéns.

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  2. Há dois meses me permiti isso: ficar uma semana sem internet. Pense em alguém que convive com esse vício desde os sete anos de idade. Às vezes ficamos reféns da tecnologia. Existe até um livro que explica essa "síndrome" de pessoas que não conseguem disconectar.
    Provavelmente foi a melhor semana que tive em anos. Também grifei poesias, fiz fotografias, li livros (aliás, a minha desculpa
    foi essa de adiantar algumas leituras).
    Taí algo que preciso repetir mais vezes. Abraços.

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?