13/06/2014

Clarissa

Girl
Clarissa se importava demais. Se importava com o garoto de lábios finos e olhos brilhantes, com os pais sem ideias, com a falta de criatividade e com toda a inspiração que não aparecia haviam dias. Fios, linhas, anos. Engasgava-se com sua própria voz e abafava o riso. Clarissa queria mudar o mundo. Queria fazer arte e cantar nas ruas. Queria revolução, dedos sangrando nas cordas e uma legião de fãs. Muitos livros espalhados pela casa. Muita coisa bonita cercando. Muito pouca coisa pra se importar.

Clarissa chegava da escola todos os dias, ao meio dia, colocava a face sob o travesseiro, muito apertada, e gritava todos os "is" até perceber que já era hora de fazer a boa moça novamente. Clarissa trancava-se no quarto e via pornografia. Dançava Jimy Hendrix e lia livros de história geral. Era desprezada no colégio e nenhum garoto se interessava por ela. Por sua fraqueza, por sua falta de saúde, por sua falta de amigos e por seu amor imenso pela vida.

A dor é pra ser sentida. Sentir é o melhor remédio e a pior doença.

Um comentário:

  1. Uau.
    Quantos sentimentos em um pequeno texto, hein?
    Achei maravilhosa a forma como os desejos e vontades mais profundas de Clarissa foram expostas. Ela é uma garota muito interessante, não?

    macabea-contemporanea.blogspot.com

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?