02/05/2014

eu vivo numa poesia mal escrita

eu vivo numa poesia mal escrita
um poesia talvez escrita por mim,
com o fim previsível, e sem rimas.
tão normal, tão comum, tão sem destaque.

eu vivo numa poesia mal escrita que coloca a amargura como uma amarga xícara de café
e que cada gole é especial, é dor, é mais,
e que no fim é só sobre saber viver.

eu vivo numa poesia mal escrita, em que alegria rima folia, e que tristeza
é igual a falta de beleza
mas que no fim, todos sabem, é só inve(r?)nsão.

eu sou uma poesia mal escrita que cada dia ruim é comparada com café ruim
que gole a gole a gente termina, e no fim, só resta a lembrança
que não tem motivos, que não tem medidas.

eu sou a poesia mal escrita em que os sussurros muito valem, e que os gritos também
mas ninguém se importa com a falta de emoção.

eu sou a poesia mal escrita com as piores palavras usadas:
todas conhecidas, e todas com mil e um significados. mas só um direto.
só um que foi escrito pensado em.

eu sou a pobre poesia, que acha que chorar é poético.
que acha que brigar consigo mesma é poético
que acha que o extremo é poético.

eu sou a péssima poesia que não considera que todos vivem uma poesia.
eu sou o tipo de poesia que acha que é única, dentro de si, bem no fundo, e que por outro lado
sabe
oh, sim, ela sabe,
está lá, num livro, de bilhões de páginas, e não, não é única
é igual
a
pelo
menos
umas mil.

eu sou uma poesia mal escrita, assim como muitas outras pessoas.
eu sou uma poesia esquecida.
eu sou a poesia insignificante.

e por fim, eu sou a poesia única.
a poesia humana.
a poesia mais poética de todas,
sensível,
humorística,
doce,
horrível,
cruel,
amável
e, porque não,
emocionante,

que todo mundo conhece, e é.

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