12/10/2013

E se iluminou...

Certo dois dias atrás, Ana veio com um negócio de "essência" do blog, que nós havíamos perdido a nossa essência, o nosso estilo, as nossas raízes e princípios. Depois de um puxão de orelha da querida Geórgia, claro: Ela não pararia de escrever textos melosos sobre amor chamados "você", ou "sozinha" - nem sei se esse é sobre amor... - sozinha. Então agora ela vem com aquele negócio de "Duda, você tem que voltar a escrever seus antigos textos, eram legais, e blábláblá", que na época, eram todos podres e infantis.

Eu fique até emocionada por saber que alguém nesse mundo se importa - ou sei lá - com o Vírgula Assassina.

Fui parando de escrever textos sobre mim, o meu dia-a-dia, coisas que me aconteciam, e percebi que não sei mais fazê-los. Não tenho mais coisas emocionantes para contar. Não sei mais escrever, ou transformar um pequeno detalhe num texto divertido, emocionante. Não sei concluir textos. Não sei mais quando dar espaçamento. Não sei mais escrever coisas que não. Sejam. Assim.

Não sejam, assim.
Não. Sejam. Assim.

Não
Sejam
Assim.

Não sei nem mesmo mais como se escreve sobre a divindade do café. Ou sobre músicas que gosto. Não sem falar mal ou citar alguém. Não sei mais como formar as frases, sem que elas fiquem repetitivas. E eu perdi isso no fim do ano passado. Perdi minha vó, meu teclado, e isso abalou meu jeito de escrever. Hoje não consigo mais escrever daquela forma. Não mesmo. Não sei colocar graça em algo sem graça. Nunca soube, para falar a verdade.

No fim, eu nunca soube. Agora menos ainda. Ando com um leve bom senso do que é postável, e do que não é. Ou seja. É. Acabou  os textos sobre bichos esmagados no tênis, ou como o café é incrível. Por enquanto - embora Ana coloque pressão na nossa "essência".

Eu não sou mais aquilo. E eu não escrevo coisas depressivas. Eu escrevo coisas inúteis, e que vem. Eu escrevo o que dá vontade. E isso não é depressão. Não mesmo.
De certa forma, eu apenas escrevo.
Se há sentido, não importa. Se há palavras bonitas, não importa. Se há sentimentos, não importa. Se há algo meu, não importa. Se há realidade, não importa. Se há beleza, não importa. Se há feridas, não importa. Se há leveza, não importa.
De certa forma, são apenas palavras.
De certa forma, sou só eu.
De certa forma, minhas palavras nunca mudarão o mundo.                                                                           Aliás, alguém as lê?
Isso ali é depressão? Não, escrevi sobre a minha escrita. Que eu apenas escrevo.
Gole a gole, o mundo foi sumindo.Gole a gole, o frio foi me consumindo. Gole a gole, eu esquecia o porquê. E o mundo se foi. E quem eu esperava, enfim chegou.  
E o resto se foi.E o resto era resto. 
E isso? Não. Estava falando sobre minha mãe demorar no mercado, e eu ter de fazer o café. Que aliás, ficou péssimo.

Então, aquilo que eu escreveria como uma pseudo crônica, eu escrevo em outra forma. Não sei mais escrever de outra forma. NÃO SEI.

No fim de tudo isso, de dizer que não sei escrever, e tudo mais, só quero dizer que me sinto mal. Eu perdi meus princípios. Isso é uma cosia que eu não gostei. E nem percebi. Ninguém se importa com o que eu escrevo. Essa é a verdade. Mas de qualquer forma. Perdi meus princípios. Que coisa terrível. É quase como se eu tivesse descartado minha alma. É isso.

E não estou dizendo que voltarei a escrever como o dia foi chato porque jogamos queimada na escola. Porque não irei. Até mesmo porque não tenho ideias para escrever. Por isso estou cerca de quatorze dias sem escrever nesse blog. Mas peço desculpas para alguém que por acaso gostasse do jeito que eu escrevia. Bate remorso nessa questão. Ah, sim!

E como eu disse, por enquanto não. quem sabe um dia - se bem que o layout não cinza deu uma astral melhor pro blog, quem sabe?

Digo, por último, que eu não sei mais escrever. E que, talvez um dia, eu volte com a "essência" do Vírgulete Assassinete.

E, ah, se você quiser ainda saber sobre minha rotina, tem o Twitter, tem Facebook, meu outro blog, o Skoob, e outra redes sociais sem graça que só servem para nada. Tô lá. Se quiserem falar comigo, trocar uma ideia, ou saber que lançou clipe novo de alguma banda que eu gosto - porque é quase só isso que eu posto no Facebook, estou lá.

2 comentários:

  1. Interpretei de diversas maneiras o "Não sejam assim ". Fiz anagramas e tudo mais.
    Sabe, Duda, os seus textos ainda estão ótimos como antigamente, é a minha opinião, e a Ana e a Geórgia tem a delas. Simples. Fim. Ou você esqueceu disso também?
    Você faz tudo ficar tão surreal e mágico, você fez uma volta demorada no supermercado da sua mãe parecer algo sobre solidão, e como você disse, não é.
    Mas não estou dizendo pra continuar ou não, vai da sua vontade e aqueles que realmente gostam do seu trabalho com as palavras, como eu, iram esperar a " Essência " voltar, ok?

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  2. Olha, Duda, não tem nada de errado em ~perder a essência~. O que seria a tua essência realmente? Será que precisaria escrever coisas tão cotidianas e/ou infantis pra manter a tradição de "ser" o que tu é? Isso só significa que cê tá mudando, evoluindo, crescendo. Ou melhor, digivolvendo, haha. E sabe, essas coisas também podem ser questão de apenas uma fase. Agora cê pode estar conhecendo outras coisas, lendo outros livros (livros, pra mim, SEMPRE influenciam na escrita), ou simplesmente não mais se identificando com o passado. Bora escrever o que der na telha, porque isso é o que tu é. E se depois quiser mudar novamente, bora lá.

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?