31/10/2013

dididididii..

Então estava eu.
Sabia tudo sobre.
Então aquilo tudo era meu.

E eu que pensava
Que na verdade
Aquilo não se amassava
Que na verdade aquilo era liberdade.

E eu fugi
De mim mesma
E eu fugi
De mim mesma

E quem sabe eu ainda esteja aqui
Fugindo de mim mesma
Embora eu ainda seja daqui.

E isso são
Tentativas falhas
De em vão
Fazer por fim
Um mundo bem melhor
Um mundo que acolha a mim.

E no fim
O fim é
Só o fim
E o fim
Não tem.
Fim.

29/10/2013

sobre dilemas, livros que deixam saudades e cappuccinos gelados

Ahn, como começar? Não sei. Pois bem.

Uma vez fui na biblioteca da escola, ano retrasado, na verdade, e achei um livrinho de umas quarenta páginas. Um livro bem pequenininho. Bonitinho. Com uma história que uma criança de cinco anos facilmente leria. Mas tão complexa. Quer dizer, peguei-o por ser bonitinho, com capa azul carimbo e ilustrações adoráveis. Mas é tão infantil quanto "O Pequeno Príncipe". Não acho "O Pequeno Príncipe" infantil, apesar de toda a sua infantilidade. Não aquele não era como "O Pequeno Príncipe", era infantil mesmo. Que você quase não sabe o que estava fazendo lá.

O livro começava com a menininha principal falando que estava com um dilema. E explicava o que era um dilema. Eu não lembro qual era o dela. Mas OK. Então ao longo do livro ela viajava na banheira dela com a melhor amiga. E o texto, que era de pouca existência, ia seguindo o livro, e, de vez em quando, formando parte das ilustrações. Então ela achava monstros que não eram tão monstros assim, e cidades de meias perdidas. Para no fim o gato dela estar em cima da geladeira comendo bolo - acho que é isso que acontece.

Um livro e tanto. Quarenta páginas que uma garota de 10 anos achou incrível. Tinha partes de pura poesia. Outras de narrativa. Era lindo. com sua capa azul carimbo - eu amo essa cor. Mas na verdade, tudo isso me inspirou a escrever muitos textos. E é um dos livros mais incríveis que eu já li , é um livro incrível mesmo, por ter toda aquela simplicidade de um livro infantil, com uma poesia tão grande. Acho lindo.

Tem uns livros, aliás, que são uma fofura. Não aqueles romances, do Nicholas Sparks, ou sei lá. Tem uns que mexem contigo. São também esses malditos que deixam saudades. Que deixam aquele vazio. mas como disse Colin - personagem de um desses livros aí -, os vazios não saem. Nem lembro o que ele fala a respeito. Se é isso. Só sei que concordo.

Acabei de terminar "Cidades de Papel" - sim, adoro um João Verde -, e gente, como tiro esse vazio do peito? Tá, não foi acabei, acabei, agora. Fazem três dias. Mas o vazio não saiu do peito. Nem sairá. É simplesmente um livro incrível. É um livro do Green.

•••

Enfim. Hoje resolvi levar cappuccino para a escola, porque, né, comprei uma copo - que eu gosto de chamar de xícara - térmico. Então pensei: "vambora levar um cafezinho pra tomar na escola prazamigas". E ele ficou incrível. Parecido com o mocca do mercado aqui perto, que é de máquina, então ficou bom. E aliás, não vejo a necessidade da existência de "mocca" e "cappu". "Cappu" é ruim se não for com chocolate - baita duma mentira! -. Mas eu faço cappuccino com Nescau, então fica mocca. OK. Continuando. Na troca de aula segunda/terceira tomei uns gole para ver se tava quente ainda. E tava. Bem quentinho. Fiquei feliz. Uhuu. Mas tivemos que fazer a prova de Português - que eu acho que tirei 2,0! Chora Duda... - em par, daí aquela bagunça geral para colar uma carteira na outra, e tive que deixar a xícara fora da bolsa. E bateu vento. E fez esfriar mais rápido. E chegou o intervalo e ele tava uma delícia. Café morno é tão bom quanto sopa morna. É uma coisa quase que abominável.

Mas eu aprendi a lição: deixar o leite mais quente, não deixar no vento e outras coisas deixam o café quentinho durante três horinhas. E estudar um pouco antes da prova, de manhã ajuda também...

Aliás, eu tinha estudado muito para a prova, de verdade! Eu sabia todos! Ou quase todos! Mas na hora da prova os que eu tinha total certeza não caíram. OK. É a vida. Tem recuperação - credo, que feio pensar assim! Temos um trabalho de resumo de livro - que eu ganhei confiança depois que meu antigo professor de Português disse, depois de ler meu resumo de um livro, que eu escrevia muito bem!

E só para terminar: minha professora nova tem um cabelo TÃO lindo. Laranja. De verdade. LARANJA. Lindo.

•••

Que época sem garça. Sério. Eu ando falante, e qualquer um dirá o contrário. Eu ando feliz e mais social. E eu vejo a diferença...

Que solidão que o "Cidades de Papel" me deixou...

Parabéns pro Baio!
Parabéns C. Baio!

25/10/2013

A paciência foi junto com o cabelo...

Então, Marininha está revoltada. Acho que o motivo disso tudo é o fato de que estou gripada, com dor de cabeça, dor no corpo, nariz trancado e escorrendo, sem falar que fico com vontade de espirrar toda hora, e quando vou espirrar, não consigo. Isso me irrita profundamente! E ah, tem os estudos, como todos sabem, eu estudo um pouquinho para o vestibular, e tipo, amanhã acontecerá o Enem, e eu estudei, sabem. Então estou ansiosa, nervosa, com sono, dor, gripe, mas pelo menos as minhas unhas estão belas, pois acabei de pintá-las de azul marinho. E a cor da minha unha não tem nada a ver.

Mas então, eu não quero falar sobre a minha pessoa, já falo bastante dela, e ela é chata, irritada, nervosa... Mas sabe, o que mais me revolta nesses períodos de revolta? A hipocrisia. Sério, eu sou chata, sistemática, preguiçosa, nervosinha, mas se tem uma coisa que eu não sou, é hipócrita. E pessoas que dizem uma coisa e fazem o contrário me irrita de mais. Ou pessoas que são falsas que falam mal dos outros e ficam lambendo a pessoa. E aquelas que ficam julgando você pela aparência?

Sério, as pessoas deveriam se olhar no espelho e tentar encontrar os erros delas, porque ninguém é perfeito, poxa. E só porque o seu cabelo é diferente, ou você não usa roupas de marca, ou tênis caros, ou não tem o celular mais moderno, não quer dizer que você é uma pessoa ruim. Hoje eu estava conversando com meu amigo durante o intervalo sobre isso. E eu cheguei a conclusão de que todo mundo pode ter liberdade para se expressar, mas se um adolescente se expressa da maneira que quer, usando as roupas que quer, sendo amigo de quem quer, na escola ele é taxado com "escroto" por pessoas que deveriam respeitar a liberdade dele!

"Escroto" é esse povo que segue modinha, que quer ser igual a todo mundo, que não tem coragem de fazer no cabelo o que quer, que não tem coragem de ficar com alguém só porque a pessoa não é popular.  Dane-se a popularidade. Que coisa mais ridícula isso! As meninas tem que ter cabelos lisos e compridos, usar blusas justas e decotadas, passar muita maquiagem, dar em cima dos meninos, e falar mal das "recalcadas" pra ser legal? Eu não acho isso!

Na minha opinião, não se mede caráter pela aparência. Eu não sou popular no meu colégio, tenho bastante amigos, mas eles também não são populares, e tem gente que não gosta de mim, claro, afinal nunca todo mundo vai gostar da gente. Do mesmo jeito que meus amigos gostam de mim porque sou assim, outras pessoas não gostam. E eu respeito. Eu também não gosto de todo mundo. Mas sabe, essas picuinhas de popularidade, beleza, a quantidade de gente que já pegou, isso tudo é tão raso. E eu não gosto nem de piscina rasa, que dirá pessoa...

Tanta coisa mais importante para ser levada em conta quanto se trata de pessoas, e eles escolhem justo as marcas que elas usam. É preciso respeitar as pessoas, gostando delas ou não. Eu fico realmente revoltada com isso. Com pessoas que acham que meninas bonitas são só as iguais, que meninos bonitos são só os populares. Quer dizer que para ser aceita na escola eu preciso fazer o que todas fazem? Eu prefiro não me encaixar e fazer o que eu gosto de fazer. Muita gente disse para eu fazer uma progressiva no meu cabelo e deixá-lo crescer, mas eu gosto dele cacheado, e curto, por isso, ontem eu cortei bem curtinho, e amei! E eu não sou de aquário, mas gosto de ser do contra. Como diz uma sábia prima minha, hoje meu nível de bandidagem está alto, até falei algumas coisas que pensei para algumas pessoas. Isso é bom, mas é estranho, porque as pessoas dizem "é melhor falar na cara do que pelas costas!", daí você fala na cara e elas ficam bravinhas...

Bom, é isso, vou para a aula de natação estragar minhas belas unhas que agora estou mantendo curtinhas. É, eu gostava de unhas compridas, mas agora as uso curtas!
Duda comenta:
A Marina vai fazer o Enem e nem estudou! ahhahaahahahahah - riam, riam, riammmmm! - ahahahahahahah
E Marina, sabe-se lá o resto do seu mapa. Vai que, né...

Ana comenta:
A Marina vai fazer o ENEM e nem tá nem aí! ~nossa, risso infinito~

14/10/2013

i need fun in my life

Estava aqui pensando: é segunda noite, não temos aula amanhã, podemos dormir até que horas quisermos. E estava pensando: todo mundo é tão cruel. De verdade. Todo mundo é cruel. Quer receber, mas não quer fazer. Digo TODO MUNDO. E se não é esse o drama, é fazer para alguns. Ou fazer porque se beneficiará.

É o mundo globalizado que vivemos, minha gente.

Eu me sinto vítima de vez em quando. Bom, tenho meus motivos, caros. Sou irmã mais nova. Sim, tenho meus motivos. Nem por isso. Também porque não sou a garota legal da sala, a do mau humor que gosta de The Walking Dead, ou a garota "bonita", ou feliz, cantarolante. Eu sou a chata que ficou a semana inteira esperando um streaming do Fade Away, ou falando que dia 18 do mês que vem lança o Shangri La. Ou a crítica de Submarine. Não que isso seja chato, porque se fosse o novo álbum de alguma banda da modinha, seria legal.

Aliás, se vocês quiserem conversar sobre alguma banda que eu gosto, ou um filme que vai sair, pode chamar, que eu tô aqui!

Enfim, continuando falando da crueldade: estava observando minha prima brincando com minha irmã. Estava observando minha prima. Estava observando minha irmã. As crianças, por serem mais puras, são também as mais cruéis. Muito, muito cruéis.

E eu enjoei de falar de como somos cruéis. OK.

Vamos ao que eu realmente queria falar: eu preciso ser mais divertida. Como disse, sou a garota que fica fazendo contagem regressiva para algum álbum, ou clipe, ou blábláblá. Ou livro. Filme. Ou coisas que estão acontecendo no mundo. Porque sou uma das poucas na minha sala que não cresceram com TV a cabo, e esse tipo de coisa, então sempre vi jornal. E também sempre fui mais mente aberta do que a maioria do mundo. Aliás, já viajei muito mais do que a maioria das pessoas da minha sala. E sou aquariana com ascendente em peixes: a revolucionária sonhadora. Estável, porém mutável. Sempre fui mais para a frente em questão "pensamento". Sempre soube da realidade. E por isso sou a chata, já que sempre quero falar de algo diferente de "nossa, quero muito comprar um celular novo". Mas que seja.

Eu preciso me divertir mais, preciso aceitar me libertar, aceitar errar, aceitar ser humana. And I need fun fun fun fun fun. Como disse Jonny, na música que escuto agora. Na verdade, preciso mandar menos gifs fofos do Ezra para a Marina, preciso cutucar menos a Gabriely para falar de músicas novas, preciso conseguir começar conversas com os outros sem pensar que estou atrapalhando, e que alguém pode ter algo melhor para fazer do que conversar comigo. Mesmo na escola, quando é aparente que não. Preciso passar menos respostas. Preciso saber conversar com qualquer um.

Mas eu me irrito facilmente com o mundo, sabe. Pessoas que não veem o mundo de outra forma além do seu mundinho ridículo. Vamos começar pelos que falam que rock é música de gente superior e funk é lixo. Tá, eu brinco que Slipkinot é noise music, e tal. Mas é brincadeira, para irritar a Marina.Cada um gosta do que quer. Esses dias ia discutir com um menino com cultura grotesca - palavra meio ofensiva, porém, é a primeira que me vem quando penso nele -, que rock não era cultura. Ele falou "você gosta de rock?", daí a menina disse "não", então ele disse "nossa, você não tem cultura". Ia gastar saliva com isso. Mas ele fala tudo "por causa de" e conjuga verbo com "mim", entre outros problemas ortográficos insuportáveis.

O mundo nunca irá para frente enquanto as pessoas não mudarem. E eu não vou para a frente se continuar achando o tumblr e o twitter as coisas mais divertidas do mundo. Nunca irei para frente. E as pessoas não vão para frente enquanto tiverem outra coisa divertida além do que eu tenho, e não tiverem um intelecto tão desenvolvido como o meu. É uma troca - embora o meu estado seja mais fácil de ser mudado. A ignorância foi plantada pelo mundo, e continua crescendo - esse post saí da cultura brasileira que convivo, e passa para todo o mundo -...
Não estava querendo ser superior a ninguém. Obrigada.

12/10/2013

E se iluminou...

Certo dois dias atrás, Ana veio com um negócio de "essência" do blog, que nós havíamos perdido a nossa essência, o nosso estilo, as nossas raízes e princípios. Depois de um puxão de orelha da querida Geórgia, claro: Ela não pararia de escrever textos melosos sobre amor chamados "você", ou "sozinha" - nem sei se esse é sobre amor... - sozinha. Então agora ela vem com aquele negócio de "Duda, você tem que voltar a escrever seus antigos textos, eram legais, e blábláblá", que na época, eram todos podres e infantis.

Eu fique até emocionada por saber que alguém nesse mundo se importa - ou sei lá - com o Vírgula Assassina.

Fui parando de escrever textos sobre mim, o meu dia-a-dia, coisas que me aconteciam, e percebi que não sei mais fazê-los. Não tenho mais coisas emocionantes para contar. Não sei mais escrever, ou transformar um pequeno detalhe num texto divertido, emocionante. Não sei concluir textos. Não sei mais quando dar espaçamento. Não sei mais escrever coisas que não. Sejam. Assim.

Não sejam, assim.
Não. Sejam. Assim.

Não
Sejam
Assim.

Não sei nem mesmo mais como se escreve sobre a divindade do café. Ou sobre músicas que gosto. Não sem falar mal ou citar alguém. Não sei mais como formar as frases, sem que elas fiquem repetitivas. E eu perdi isso no fim do ano passado. Perdi minha vó, meu teclado, e isso abalou meu jeito de escrever. Hoje não consigo mais escrever daquela forma. Não mesmo. Não sei colocar graça em algo sem graça. Nunca soube, para falar a verdade.

No fim, eu nunca soube. Agora menos ainda. Ando com um leve bom senso do que é postável, e do que não é. Ou seja. É. Acabou  os textos sobre bichos esmagados no tênis, ou como o café é incrível. Por enquanto - embora Ana coloque pressão na nossa "essência".

Eu não sou mais aquilo. E eu não escrevo coisas depressivas. Eu escrevo coisas inúteis, e que vem. Eu escrevo o que dá vontade. E isso não é depressão. Não mesmo.
De certa forma, eu apenas escrevo.
Se há sentido, não importa. Se há palavras bonitas, não importa. Se há sentimentos, não importa. Se há algo meu, não importa. Se há realidade, não importa. Se há beleza, não importa. Se há feridas, não importa. Se há leveza, não importa.
De certa forma, são apenas palavras.
De certa forma, sou só eu.
De certa forma, minhas palavras nunca mudarão o mundo.                                                                           Aliás, alguém as lê?
Isso ali é depressão? Não, escrevi sobre a minha escrita. Que eu apenas escrevo.
Gole a gole, o mundo foi sumindo.Gole a gole, o frio foi me consumindo. Gole a gole, eu esquecia o porquê. E o mundo se foi. E quem eu esperava, enfim chegou.  
E o resto se foi.E o resto era resto. 
E isso? Não. Estava falando sobre minha mãe demorar no mercado, e eu ter de fazer o café. Que aliás, ficou péssimo.

Então, aquilo que eu escreveria como uma pseudo crônica, eu escrevo em outra forma. Não sei mais escrever de outra forma. NÃO SEI.

No fim de tudo isso, de dizer que não sei escrever, e tudo mais, só quero dizer que me sinto mal. Eu perdi meus princípios. Isso é uma cosia que eu não gostei. E nem percebi. Ninguém se importa com o que eu escrevo. Essa é a verdade. Mas de qualquer forma. Perdi meus princípios. Que coisa terrível. É quase como se eu tivesse descartado minha alma. É isso.

E não estou dizendo que voltarei a escrever como o dia foi chato porque jogamos queimada na escola. Porque não irei. Até mesmo porque não tenho ideias para escrever. Por isso estou cerca de quatorze dias sem escrever nesse blog. Mas peço desculpas para alguém que por acaso gostasse do jeito que eu escrevia. Bate remorso nessa questão. Ah, sim!

E como eu disse, por enquanto não. quem sabe um dia - se bem que o layout não cinza deu uma astral melhor pro blog, quem sabe?

Digo, por último, que eu não sei mais escrever. E que, talvez um dia, eu volte com a "essência" do Vírgulete Assassinete.

E, ah, se você quiser ainda saber sobre minha rotina, tem o Twitter, tem Facebook, meu outro blog, o Skoob, e outra redes sociais sem graça que só servem para nada. Tô lá. Se quiserem falar comigo, trocar uma ideia, ou saber que lançou clipe novo de alguma banda que eu gosto - porque é quase só isso que eu posto no Facebook, estou lá.

10/10/2013

Nostalgia


A garota estava deitada na cama de solteiro em seu quarto abafado, e olhava os adesivos de tartarugas, cogumelos e borboletas que brilhavam no teto. Ela percebeu que havia quatro adesivos de tartarugas, seu animal favorito. Nem contou quantos de borboletas e cogumelos estavam colados.

Detestava borboletas, porque sempre que uma voava por perto, grudava em seu cabelo cacheado. Era difícil tirar, normalmente as asas quebravam. A menina também não gostava de cogumelos. Uma vez quando estava brincando em um bosque junto com suas primas, relou em um negócio branco e gelado em uma árvore. Pegou trauma. Mas ela ainda enche o prato de champignon quando come estrogonofe.

A adoradora de tartarugas e detestadora de borboletas estava sem sono. Ela sabia que devia dormir logo, porque no dia seguinte teria que acordar as seis horas da manhã. Mas o sono havia lhe deixado. Nem mesmo a aula de natação conseguiu trazer o tão esperado sono. Engraçado que enquanto ela esperava seu pai no clube, o sono impediu que ela ouvisse as músicas altas do bar.

Depois de amanhã ela ia viajar para o lugar que mais gostava na vida. Era um lugar cercado por lagos, e era bem pequeno. Uma zona rural, para ser mas específica. Ficava no oeste do Paraná, próximo a cidade de suas primas. Essa pequena ilha tinha cheiro de grama cortada, e sempre que a menina pensava no vilarejo, lembrava de terra, alegria, comida gostosa, família reunida e tudo o que ela mais gostava no mundo. Estava ansiosa.

02/10/2013

Passou

Ela estava cansada de tudo. Cansada de tentar e não conseguir. Cansada de acreditar, torcer, dar o seu máximo, e nunca alcançar. Todos sempre disseram para ela que para dar certo, ela precisava acreditar, batalhar e jamais desistir. E assim ela fez por toda a sua vida. Até que chegou uma hora que ela não sabia se fazer isso bastava.

Ela queria conseguir, mas ela já acreditava que um dia conseguiria. Ela começou a pensar que talvez fosse melhor desistir, esquecer tudo o que já fez, e nunca mais fazer. Sua mãe lhe dizia que devia aprender com os erros. E ela estava achando que tudo o que ela fez até então não passava de erros. E ela estava disposta a aprender e não repetir.

De uma coisa ela sabia: era uma garota especial, diferente. E não ia mudar quem era, nem violar seus valores para conseguir o que queria. Se fosse para vencer, seria sendo do jeito que ela sempre foi. Uma menina um pouco grosseira e estúpida.

Mas por trás daquela aparência brutal, existia uma menina carente, meiga e delicada. Que tinha muito medo de se decepcionar com a vida e com as pessoas. Ela era uma menina feliz, mas queria apenas uma coisa. E a esperança já não caminhava mais ao lado dela.