04/05/2013

get away from me

Me sentia um gatinho. Preguiça enorme, olhos arregaladas, voz fraca e rouca, cabelos eriçados e um monte de coisas entaladas na garganta. Vai saber se gatos têm coisas presas na garganta, mas eu tinha. Era a hora certa pra gritar e desintoxicar. Entraram as pessoas no quarto, todas prontas pra me darem suas palavras de conforto e flores que eu jogaria na lata de lixo. Lindas rosas vermelhas e petúnias amarelas. Eles nem sabiam de nada. Nem sabiam que eu odiava o cheiro hipócrita daquelas flores.

Eram redemoinhos, correndo para todos os lados, me deixando tonta e verde, com vontade de mandar todo o mundo embora e ficar sozinha. Me deixem o café, e se vão. Vão para bem longe. Voem. Nesse céu nublado. E me deixem olhar pra vocês bem longe de mim.

Era difícil acreditar que algum dia isso fora bom, colorido e macio. Carinhos e afagos na cabeça e palavras angelicais. Choros com soluços. Palavras misturadas com água. Sentimentos feito pó. A cabeça nas nuvens. Girando. Indo embora. Me fazendo botar tudo pra fora. E não voltando mais. Porque eu não sabia o que eram. E não queria descobrir tão cedo. Vão embora, eu dizia. Vão embora.
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2 comentários:

  1. As pessoas admiram o sofrimento mas são todas incapazes de retirar o próximo dele. Gostei bastante do texto, parabéns a quem o escreveu.

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Comente, não temos super poderes - uma pena - para acabar com você. Mas diga, e se o Skywalker usasse a Contracorrente e Percy um Sabre de Luz?